Professoras de Jornalismo apresentam trabalho em evento internacional

Artigo trata de metodologias ou técnicas para ajustar a forma de aprendizado para pessoas com deficiência visual

Na próxima semana, no dia 15 de maio, quarta-feira, na cidade de Londrina (PR), as professoras do curso de Jornalismo da UniSecal, Maria Fernanda Cordeiro, Mônica Candéo Iurk e Taís Maria Ferreira, apresentarão um artigo no sétimo ‘Encontro Nacional de Estudos da Imagem – ENEIMAGEM’ e no quarto ‘Encontro Internacional de Estudos da Imagem – EIEIMAGEM’. O evento reúne pesquisadores(as) para discussão, atualização e reflexão sobre a imagem e seus possíveis suportes nas áreas do conhecimento.

Com um trabalho que vem sendo desenvolvido há quase quatro anos, ‘Iconografia em sala de aula para deficiente visual: métodos e técnicas artísticas como affordances para a construção da imagem no ensino de fotografia e fotojornalismo no ensino superior’ traz metodologias de ensino utilizadas com o acadêmico de Jornalismo Gabriel Fonseca, que tem deficiência visual, e que podem ser implementadas em outras situações similares.

“[O artigo] Trata de um sistema ou técnicas para ajustar a forma de aprendizado para o Gabriel ou qualquer pessoa que não tenha possibilidade de enxergar”, explica a professora Mônica.

Metodologia

À época docente nas disciplinas de Fotografia e Fotojornalismo, Maria Fernanda, ao saber que precisaria ensinar um aluno cego a tirar fotos, realizou pesquisas e, juntamente com Taís, desenvolveram algumas técnicas para facilitar a aprendizagem do aluno como audiodescrição, diagramação e fotografia tátil. “Um dos principais recursos que uso até hoje nas aulas é a audiodescrição, que é uma ferramenta indispensável para descrever imagens, gráficos ou outros elementos para que o Gabriel possa compreender o conteúdo como um todo. Além das aulas, nos materiais que são disponibilizados na plataforma, todas as imagens são acompanhadas de descrição, para que o leitor de tela que ele utiliza possa ‘ler’ a imagem”, comenta Cordeiro.

Com o desenrolar das aulas, a cumplicidade entre as professoras e o aluno fizeram com que as metodologias de ensino fossem cada dia mais efetivas. Uma das técnicas utilizadas é a iconografia, que, segundo Mônica, no caso do estudante da UniSecal, “é uma forma de linguagem que utiliza imagens em relevo e texturas variáveis para que o acadêmico compreenda o espaço, formas, perspectivas, dimensões, planos e outros detalhes de fotografia. Ele cria em mente o que nós enxergamos”, relata.

Segundo Taís, professora responsável pela montagem dos materiais práticos, a primeira atividade externa do aluno foi fotografar todo o piso tátil do Calçadão de Ponta Grossa (PR), do Terminal Central em direção à Praça Barão do Rio Branco.

“Antes eu acompanhava o Gabriel nas atividades e direcionava ele a como realizar uma fotografia, por exemplo. Hoje ele consegue fazer isso sozinho, utilizando das metodologias que criamos juntos”, enfatiza a educadora.

Resultados para a sociedade

Apresentando um desfecho positivo, já que o aluno está quase se formando, as professoras acreditam que o trabalho desenvolvido por elas possa contribuir com docentes ou pessoas que estejam ou possam passar pelo mesmo cenário.

“Quando soube que ia dar aula para um aluno cego, tentei buscar referências, pesquisei, mas encontrei pouca coisa disponível na Internet. Então, acredito que nossa experiência pode ser útil para possibilitar a inclusão de outros alunos com deficiência visual e auxiliar professores que futuramente possam se deparar com a mesma situação”, pondera Maria.

Para Taís, deve haver um cuidado, também, com a pessoa que irá ensinar o aluno com deficiência, antes de serem aplicadas as metodologias. “Eu sou formada em Jornalismo, então isso me dá uma bagagem para ensinar o jornalismo para o Gabriel. Após isso, aí sim, o docente poderá criar um novo trabalho, porque, no exemplo do Gabriel, todo o processo foi criado para ele. Porém, se vier outro aluno, precisa ser repensado, porque cada pessoa entende e aprende de uma forma diferente. Precisa ter uma cumplicidade, tanto de quem ensina, como de quem aprende, para que o resultado seja positivo”, finaliza.

VII ENEIMAGEM e IV EIEIMAGEM

Os eventos sobre ‘Estudos da Imagem’ é uma realização do Laboratório de Estudos dos Domínios da Imagem (LEDI), por meio da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Acontecerão mesas-redondas, conferências, minicursos e workshops, além de espaços para lançamentos de livros e rodas de conversas com os/as participantes.



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